Governadores do Nordeste chegam ao Piauí tentando esquecer que Bolsonaro não gosta deles - Jornal da Ilha Grande Piauí

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Governadores do Nordeste chegam ao Piauí tentando esquecer que Bolsonaro não gosta deles



Está tudo acertado para a realização da reunião do Consórcio Nordeste, com a presença dos nove governadores (Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Bahia).

Aliás, apenas um dos governadores nordestinos, de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), não confirmou presença alegando outros compromissos, mas que enviará representantes.

Em pauta, o fortalecimento do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável, mediação tecnológica para a criação da universidade aberta do Nordeste, a missão especial com União Europeia e a criação de um escritório do Consórcio na China.

Esta última é uma das maiores apostas do governador Wellington Dias (PT), do estado anfitrião deste encontro. W.Dias já anunciou, recentemente, que durante a viagem que fez a Pequim, ouviu garantias da vinda dos chineses para investimentos na região Nordeste.

Mas não tem jeito. Apesar das -proveitosas- pautas que farão parte da agenda do Consórcio Nordeste, o fantasma do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) tem feito os governadores nordestinos ficarem de cabelo em pé sobre que rumo tomarão daqui para frente.

Apesar de tentarem esquecer esse clima de acirramento de ânimos, sobretudo após as declarações de Bolsonaro que ganharam o mundo, tipo “os governadores Paraíba” e os insultos de que são o “cocô do comunismo”, os governadores não terão como fugir do assunto. Seja em entrevista à imprensa, seja em discussões sobre recursos federais.

A fala de Bolsonaro direcionada, por exemplo ao maranhense Flávio Dino (PCdoB), de que “não é para ter nada para ele”, preocupou não só este, mas todos demais chefes do executivo. Há um certo receio que o presidente Jair Bolsonaro, de alguma forma, não seja tão generoso com os estados onde a maioria absoluta não votou nele.

O clima, no entanto, não pode e nem deve ser de ficar se lamentando. Até porque não há nem tempo para isso. Os governadores vão precisar esquecer que Bolsonaro não gosta deles. Ter gestos e atitudes como a do próprio Wellington Dias, que, na semana passada, quando houve a visita do presidente, fez questão de recebê-lo e tratar das demandas que considera necessárias para o estado.

A eleição já passou. Por mais que o presidente busque instigar esse clima de “eu falo o que eu quiser e dane-se o resto”, os governadores nordestinos vão ter de driblar tudo isso se quiserem continuar tendo um mínimo de respeito junto à União. O momento de rebater, dizer que não presta é na eleição. Tanto a presidência como os governos são impessoais. Só quem perde com essa briga é o povo. Espera-se, sim, que a partir de um encontro como este, resultados positivos apareçam. Afinal de contas, o eleitor que colocou esses governadores aonde estão são os mesmos que colocaram o atual presidente aonde está. Precisam! Gostando ou não um do outro!