Exclusivo, a história de Adão, vendedor de geladinho que foi humilhado por um grupo de adolescentes - Jornal da Ilha Grande Piauí

sábado, 7 de setembro de 2019

Exclusivo, a história de Adão, vendedor de geladinho que foi humilhado por um grupo de adolescentes

Veja com exclusividade, a história de Adão, o menino vendedor de geladinho que foi humilhado por um grupo de adolescentes e está repercutindo em todo o Brasil
Por Joel Teixeira
O garoto Adão Nunes de Souza, 14 anos, vendia geladinhos a R$ 1 cada, para ajudar a sustentar a família dele, na quarta-feira (4)  na sacada de uma pizzaria do Bairro Canoeiro em Grajaú no Maranhã, mas ao vender o seu produto para um grupo de adolescentes, foi humilhado por eles.  É possível ver as lágrimas caindo no rosto do trabalhador, ao perceber que aqueles garotos o fazem de “bobo” após consumirem o gelado. Eles ameaçam não pagá-lo, brincam com as notas que seriam para o pagamento, fingem entregar o dinheiro, mas quando o menino tenta pegar eles recuam. Todas as cenas foram filmadas, supostamente pelos próprios adolescente que praticaram o bullying.
A notícia foi publicada pelo repórter Djacy Oliveira, do blog "De Olho em Grajaú" e chamou a atenção de um grupo de policiais do 33º batalhão de Policia Militar, os policiais sensibilizados fizeram uma bonita homenagem ao adolescente, foram até a casa dele, compraram uma caixa de "cremosinho" e distribuiram para as crianças do bairro, eles ainda disseram palavras de conforto ao jovem.  Um vídeo sobre a agressão e com a solidariedade dos PMs, ganhou o país, através das redes sociais.
Nós do TV Notícias, falamos com a família do adolescente Adão Nunes de Souza de 14 anos, a irmã dele Jardilene Nunes de Souza disse que o vídeo que viralizou na internet não mostra, mas Adão sofreu agressões verbais e físicas, um dos adolescentes que o abordaram, chegou a sufoca-lo com as duas mãos contra o pescoço do jovem trabalhador, “eles chutaram a caixa cheia de geladinho, no vídeo pode notar que ele está meio vermelho, foi muita agressão”, disse Jardilene.
Adão e a humilhação
“Eles me humilharam muito, pensei que ia perder os cremosinhos quando eles chutaram a minha caixa, me enforcaram, fiquei muito triste, mas hoje eu perdoo eles.”
Perguntamos ao garoto que cursa a 6º série, quais os sonhos dele para o futuro, após terminar os estudos, e, ele disse: “Quero ser advogado para ajudar as pessoas.
A família
Mãe de sete filhos, dona Cleudi Nunes de Souza, 38 anos, sobrevive de uma pensão no valor de R$ 600, o marido Joaquim Pereira de Oliveira, 54 anos, que é padrasto das crianças, trabalha como vendedor de água de coco, Jardilene, 18 anos, uma das filhas, é babá e ganha R$ 400. Com orçamento apertado, Adão começou a vender geladinho, “cremosinho” como é chamado o gelado no Maranhão. Eles moram na Rua Santa Rita no Bairro Extrema em Grajaú. A casa dona Cleudi ganhou num sorteio, mas segundo a família, não está totalmente finalizada, falta reboco e acabamentos de praxe. Os irmãos de Adão são: Jardeane 20 anos, Jardilene, 18 anos, Eva, 16 anos, Rebeca 13 anos, Isaque, 12 anos e Raabe de 8 anos. Todos estudam.
Palavra de mãe
Emocionada, a mãe de Adão, dona Cleudi, disse : “ Eu sempre ensino os meus filhos a perdoarem pelas ofensas que sofrerem, porque já vivemos em um mundo muito difícil e se não houver o perdão o mundo só piora.”
A cidade
Grajaú tem 61.903 habitantes segundo o último Censo, está localizada no centro-sul maranhense, próximo aos municípios de Barra do Corda, Porto Franco, Imperatriz e Carolina. É  um dos municípios maranhenses que compõem a Amazônia legal. A economia é baseada na lavoura, muita agricultora de subsistência, extração de gesso e pecuária.
Um Exemplo  dado pelos Policiais Militares de Grajaú  
Em meio a um país com tanta violência policial, esses gestos chegam como um alento, um recado de que nem todo mundo é truculento ou violento, é preciso separar o joio do trigo.  
A nossa reportagem não conseguiu falar com os garotos acusados de praticarem as agressões contra o garoto Adão.